sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Amo-te


Amo-te. Amo-te por olhar-te e sentir meu coração arrepiar. Amo-te por sentir meu corpo estremecer ao me abraçar. Amo-te ao piscar os olhos e ver que me olhas. Amo-te por encher e esvaziar meus pulmões com suspiros. Amo-te por sempre lembrar-te ao dormir. Amo-te por amar-me. Amo-te por fazer as coisas que fazes. Amo-te por dizer as coisas que dizes. Amo-te por fazer doer meu coração com imenso amor. Amo-te por ser a pessoa mais importante e significativa em minha vida. Amo-te por teimar comigo. Amo-te por enxergar minha alma na sua. Amo-te pelo simples fato que vives. Amo-te por não querer perder-te. Amo-te por ser meu futuro. Amo-te pela saudade que sinto de ti. Amo-te por cuidar de mim. Amo-te ao falar meu nome. Amo-te ao tocar-me. Amo-te ao ouvir tua voz. Amo-te por existir. Amo-te ao deixar meu coração aos pulos. Amo-te ao sentir teus lábios nos meus. Amo-te ao enxugar tuas lágrimas. Amo-te ao ficar ao seu lado somente. Amo-te por me trazer felicidade. Amo-te por errar e assumir o erro. Amo-te por não saber o quer faria da minha vida sem ti. Amo-te por te depender. Amo-te por querer estar ao teu lado. Amo-te por ver em seus olhos minha vida. Amo-te ao acordar por saber que meu amor despertou. Amo-te por dizer que me ama. Amo-te ao sorrir me vendo sorrir. Amo-te ao me dar carinho. Amo-te ao lembrar-me de ti comigo. Amo-te ao sonhar com teu amor. Amo-te ao ver estrelas e enxergar teu rosto. Amo-te por tudo que possa existir. E mais que tudo, amo-te pelo significado que dá a minha vida. E entre os suspiros do vento, da noite ao mole frescor, quero viver um momento, morrer contigo de amor
Amo-te.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Na terra do coração

passei o dia pensando - coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação - repetido, invertido - ação, cor - sem sentido - couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.

Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se p6os. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.

Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: "Im too pure for you or anyone". Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo.

Meu coração é uma planta carnívora morta de fome. Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos - ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também.Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.

Acesa, aceso - vasto, vivo: meu coração é teu

Caio F.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Soneto 88

Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.
Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.
Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,
Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto

Willian Shakespeare

Soneto 71

Quando eu morrer não chores mais por mim
Do que hás de ouvir triste sino a dobrar
Dizendo ao mundo que eu fugi enfim
Do mundo vil pra com os vermes morar.

E nem relembres, se estes versos leres,
A mão que os escreveu, pois te amo tanto
Que prefiro ver de mim te esqueceres
Do que o lembrar-me te levar ao pranto.

Se leres estas linhas, eu proclamo,
Quando eu, talvez, ao pó tenha voltado,
Nem tentes relembrar como me chamo:

Que fique o amor, como a vida, acabado.
Para que o sábio, olhando a tua dor,
Do amor não ria, depois que eu me for.

Willian Shakespeare

Soneto 116

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

Willian Shakepeare

sábado, 19 de junho de 2010

Albert Camus once wrote

"Blessed are the hearts that can bend, they shall never be broken." But I wonder if there's no breaking then there's no healing, and if there's no healing then there's no learning. And if there's no learning then there's no struggle. But struggle is a part of life. So must all hearts be broken?

George Bernard Shaw once wrote

"There are two tragedies in life. One is to lose your heart's desire. The other is to gain it." Clearly, Shaw had his heart broken once or twice. As far as I'm concerned, Shaw was a punk. Cause you know what? Tragedies happen. What are you gonna do, give up? Quit? No. I realize now that when your heart breaks, you got to fight like hell to make sure you're still alive. Because you are. And that pain you feel? That's life. The confusion and fear? That's there to remind you, that somewhere out there is something better, and that something is worth fighting for. Shaw was right. As we strain to grasp the things we desire, the things we think will make our lives better: money, popularity, fame. we ignore what truly matters, the simple things, like friendship, family, love. The things we probably already had. Yes, losing your heart's desire is tragic. But gaining your heart's desire? That's all you can hope for. Last year I wished for love, to immerse myself in someone else and to wake a heart long afraid to feel. My wish was granted. And if having that is tragic, then give me tragedy. Because I wouldn't give it back for the world.